Ele dedilha seu piano com os olhos fechados, entra num mundo que só ele domina...tão bonito, forte, passional...eu fico a observar com o pulso um pouco acelerado, seus olhos se desviam por um segundo, se direcionam para mim, me sinto transparente...engraçado...ele só vê o que quer, ou talvez não veja nada...fico triste por ele, por seu medo de envelhecer, pela sua insegurança tão bem camuflada, talvez ele fique só...Não! Ele sempre terá o seu piano.
Ele ficou o tempo todo sentado me observando, rosto sem expressão, apático, frio...tem olhos tristes, parece ter perdido algo, mas se fez sentir em minhas costas, como se estivesse me tocando levemente os ombros...se posiciona e toca com fúria, segura as baquetas com força e me dá um sorriso tímido, parece ter medo de mim...as baquetas tornam-se pincéis, os olhos deixam de ser frágeis, as mãos torna-se leves e o coração pesado...tudo ilusão de ótica.
Ele era lindo, seu olhar transmitia lúxuria, paixão...sua voz parece veludo, mel escorrendo pela garganta, os olhos delas brilham, ele brilha...eu dormi no fundo do mar e acordei nos seus braços...pronto, agora é a vez dela.
Ele sente-se velho, sempre triste, inocente e alheio às maldades do mundo...parece a caça, mas é o caçador...doce e dolorido...frio e quente...apático e emocionante...cordas, línguas, corpos e calcinhas de algodão...ele me dá medo.
