.jpg)
Ela dormiu. Fechou os olhos em sono profundo e foi viajar.
Sinto saudade do cheiro do café forte.
Seus cabelos finos e prateados, sempre tão perfumados, ela lavava as quartas e sextas. Um ritual seguido a anos, assim como o corpo besuntado de hidratante, todos os dias, religiosamente.
As plantas gostavam dela, lembro-me das várias vezes em que plantava uma mudinha e um tempo depois, lá estava...viva, linda e viçosa.
Aquele casarão parecia um labirinto para mim que era tão pequena, mas guardo a imagem dela descendo as escadas do quintal para dar comida ao passarinho, conversava um tempão com ele e eu ficava observando sentada no chão.
Ela dividiu sua cama, dormiu apertadinha, só para me fazer feliz.
Ela foi compositora de músicas das quais eu não esqueço, inocentes cantigas que ainda hoje me fazem sorrir.
Quantas vezes não percebi ela me observando com olhos de amor, de admiração, sim...ela foi minha defensora, acreditou em mim quando eu achava que não conseguiria, que a dor não passaria, segurou minha mão suada e trêmula pelo medo, me ensinou a ter mais coragem.
Sou grata. Você foi minha e hoje é do mundo, da eternidade, do meu coração egoísta que não queria dividi-la com ninguém, mas você foi, e agora sei que volita por aí...veja o mar por mim, sempre quando desejar, não deixe nenhuma plantinha morrer, e venha me visitar de vez em quando, porque meus sonhos estarão sempre abertos para você.
Adeus vovó! Boa viagem!
