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terça-feira, agosto 18, 2009

A Terra do Nunca...

Um prédio de 28 andares, imponente, suntuoso, íamos morar lá...que felicidade!!!
A ansiedade para entrar pela primeira vez naquela piscina era imensa, nunca tinha sido usada, tudo novinho, como se tivesse sido construído para receber a nossa família, família essa que se multiplicou entre as paredes daquele edíficio, ganhamos amigos, irmãos, irmãs, para a vida toda, com as mesmas lembranças felizes.
Vieram as meninas do 24, duas pequenas, miudinhas mesmo, as duas belas garotas do 10, os "capetas" do 25, o "mosquito" do 11, entre outros...figuras únicas, que compartilharam praticamente todos os dias da nossa infância, juntos, sempre cúmplices, até nas traquinagens que foram muitas...





Os domingos eram uma festa na piscina, a diversão era pular " bomba " na água só para ver as mulheres que se bronzeavam ficarem bravas e gritarem por terem se molhado...ha,ha,ha...era cada pulo!!! A cada grito, cada risada, a arara do vizinho se pronunciava " arara, arara!!!!"
E tinha o " capetaaaa" que pulava de cima do muro e deixava todo mundo sem folêgo, parecia um peixinho, era a atração e o tormento das meninas desavisadas, afinal adorava desamarrar um lacinho de bíquini...
Foi lá que papai me ensinou a nadar, que houveram noites ao som do seu violão na escada de entrada, todas as crianças rodeando e cantando...era demais, era " meu pai ".
Foram incontáveis brincadeiras, esconde-esconde, pega pega, cela ( essa era a preferida ), beijo abraço e aperto de mão, menino contra menina, tudo era motivo para reunir a turma, e que turminha da pesada...que corria pelas escadas no escuro, gritando, apertando a campainha de todos os moradores, trocando os tapetes e enfeites de Natal de lugar...tivemos gatos, passarinhos, pintinhos...apenas crianças, felizes, sem fazer diferença de cor, de classe social, de idade, apenas parte de uma vida onde tivemos um prédio inteiro, só nosso.
Meu primeiro amor roubou meu diário, aquele onde eu guardava o meu amor platônico pelo menino mais bonito do prédio, foi assim que ele descobriu, foi assim que eu quase morri de vergonha, nem queria mais sair de casa...
O primeiro beijo...dentro do elevador...que vontade de sair correndo, um frio na barriga e aqueles olhos de gato me olhando, chegaram tão perto que eu achei que podiam ver através de mim, naquele dia eu mudei, cresci mais um pouco, mesmo assim quis o colo da minha mãe e ela me deu...

Quando volto lá ainda sou capaz de ouvir os gritos, as risadas, é só fechar os olhos para rever cada rosto, cada festa de aniversário, cada presente, ainda é possível ouvir o ronco do motor do carro de papai chegando na garagem...

Sim, era a Terra do Nunca, a minha Terra do Nunca, a " nossa " Terra do Nunca...





Dedico esse pequeno texto a Fernanda ( a irmã que eu escolhi )...e a todos os outros " anjinhos " do Edíficio Pigalle.

sábado, agosto 15, 2009

Somos três...

Os brinquedos ficavam espalhados no meio de três meninas que brincavam sentadas no chão...
Dormiam sob guarda-chuvas fingindo estar morando em cabanas...
Pintavam suas bonecas de caipira com caneta Bic...
Nadavam como peixes e viviam negrinhas por causa do Sol...
Cantavam ao som do violão de papai...
Cada qual com seu jeito, sua beleza...
Um amor infinito...
A maior ligação com o passado...
Ontem meninas, hoje mulheres, irmãs...para sempre.

Não sou poeta...


Aqui morarão histórias de vida, desabafos, alegrias e tristezas...acredito que chegou a hora de compartilha-las.

Não sou poeta, tampouco considero-me uma grande escritora, apenas fiz renascer uma garota que sempre morou aqui dentro, alguém que eu deixei adormecida, uma menina que acreditou em contos de fadas e descobri a pouco que ainda acredita...mamãe precisou me lembrar dela.

Existia uma garota que passava as tardes por horas a fio escrevendo num caderno espiral, sentada no sofá da sala, achei que ela havia se perdido no tempo, felizmente fui procurá-la e ela estava lá, sentada no mesmo lugar, com os olhos perdidos nos seus pensamentos...estou feliz em revê-la.

Aqui começa sua história...