Opa...faz tempo, faz tempo...estava dando uma folguinha, mas hoje me deu vontade de vir aqui contar coisas.
Primeiro eu tenho enfrentado um monstro, me faz suar, tremer, tenho medo que ele me abocanhe no meio da rua, por isso tenho andado pouco sozinha, só por um tempo, nada nessa vida dura para sempre...não estou infeliz, só com as gavetas bagunçadas, tenho mexido nelas, procurado colocar peças da mesma cor todas juntinhas, meias enroladas e calcinhas de algodão separadas das de renda ( essas são para ocasiões especiais ou para me sentir mais especial, depende, depende...). Tenho refletido sobre toda essa gente da cidade que anda para lá e para cá, sem saber o valor que isso tem, que dorme no ônibus de boca aberta ou que vagueia por aí sem destino, joga a mochila nas costas e vai para um lugar bem longe, na mais completa solidão, seguro, calmo...a vida é segura, eu sei, vou enfiar mais essa peça na minha gaveta, só é um pouco difícil de dobrá-la, muito grande.
Quero contar também do trabalho, tá bom aqui, eu gosto, tenho aprendido a substituir desagrados, por valores diferentes...rs...é engraçado, mas não gosto de me beliscar, por isso não faço, até gosto de coisas de maluco, mas nada para me machucar, eu hein...esse papo masoquista tira meu apetite...eca!
Agora tem coisas malucas boas, por exemplo, fazer careta na frente do espelho, eu gosto disso, provoca gargalhadas sensacionais, ou pisar em folhas secas , não tem nada de anormal nisso, a não ser que vc tenha que correr atrás delas e literalmente pular em cima delas, o barulho é bom, a sensação também.
Descobri que gosto de falar sozinha, que sei rir de mim também, e que boa parte das bobagens que fiz vieram da pessoa que eu estava querendo ser, não era eu, era um fake...algo se quebrou na minha trajetória, eu ainda não descobri que peça do brinquedo, mas sei que essa peça fez a coisa funcionar com defeito, e isso nem é uma desculpa, são descobertas mesmo...é estranho parar e ver que você já não se lembra do que gosta, mais louco ainda não saber mais o que se quer daqui a cinco anos.
Relembrei que música clássica me acalma, que gosto do silêncio, que contato demais me irrita, que odeio barba mal feita, que ainda gosto de dance music (gosto ué !), que jazz é música para ouvir tomando champagne, que detesto esportes e tenho preguiça mesmo, que não preciso mais do meu Mickey comigo na cama, basta eu saber que ele está no guarda-roupa, não quero mais estudar, odeio guarda-chuva, detesto suar e lugares abafados, não tenho mais pique para acampamentos, nem para shows lotados com gente gritando, não sou viciada em café, e nem gosto tanto assim de salada, mas até como, que ainda não tive todos os homens que desejei, que desejo as pessoas de me dar água da boca ( tipo quando olho para uma comida gostosa ), sou viciada em cheiros, cansei de beber, o cheiro da maconha não me agrada mais, muito menos o gosto, que gosto de andar de havaianas e meia ( e foda-se a opinião dos viciados em moda ), aliás eu faço a minha moda, misturo as minhas cores, meus acessórios de rock and roll, não gosto mais de luz negra, prefiro luz de velas, minha vida já dá um filme, mas seria um filme pra fazer as pessoas chorarem em alguns trechos, então prefiro reescreve-la daqui, sim, é um recomeço, para refazer a peça que se quebrou...e poder escrever uma comédia, cheia de amigos ( os poucos que eu tenho já está bom ), muitas comidas que eu ainda não fiz, meu quatro filhos ( um de cada cor, todos adotados ), taças dos diversos vinhos que ainda não provei, vários gatos, almofadas, luz e vento na cara...já estou voltando, ainda sou lagarta, mas em breve viro uma borboleta novamente.
Tenho me divertido com histórias patéticas, estou adorando o quanto ela enxovalha ele de palavras, ele até que merece, no fundo me identifiquei com ela, garota inteligente, cheia de gostos, um tanto rústica pra mim, destrutiva também ( mas sei que isso é a idade ), agora ele é realmente vazio, não tenho saco para ler seus textos, só leio trechos, a história cheia de sapatos, livros, fumos e garotas pin-ups é bem chatinha, também não gosto dos nomes, nem me encanto com o que deveria ser o fortão da história, bem típico dele, fraco por dentro, reprimido de desejos. Um dia ela disse que eu não era nada, engraçado que na hora eu até me ofendi, hoje fico feliz por ela...não preciso que ela me ache isso ou aquilo, ela serve para me divertir com suas idéias de menina intelectual, ainda bem que existe...e ainda o ama ( pura perda de tempo ).
A vida mudou, mas não deixou de ser boa, agora tenho quem cuide de mim, massageie as minhas dores terríveis nas costas, pareço uma velha falando assim, mas de tanto correr do monstro meu corpo dói, dói todo, fico esmigalhada, e continuo a sorrir, por saber que não é infinito, enquanto ele me ronda, eu tomo meus longos banhos perfumados, uso minhas maquiagens importadas, meus cremes e perfumes, fútil talvez, mas me faz feliz, me faz mais forte, aliás eu nem tenho tentado mais ser forte, simplesmente tenho descoberto que posso ser fraca e não preciso me sentir mal por isso, que posso errar, apesar de ainda me irritar com quem erra, vou aparando as arestas até deixar tudo do jeito que eu quero e fazer com que ele desista de mim, porque apenas estou sendo, com ou sem ele.
É isso aí, em breve estarei de volta, quando o verão chegar...
