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quarta-feira, dezembro 07, 2011

A cautela dos espíritos livres

Os homens de espírito livre, que vivem só para o conhecimento, em breve acharão ter alcançado a sua definitiva posição relativamente à sociedade e ao Estado e, por exemplo, dar-se-ão de bom grado por satisfeitos com um pequeno emprego ou com uma fortuna que chega à justa para viver; pois arranjar-se-ão para viver de maneira que uma grande transformação dos bens materiais, até mesmo um derrube da ordem política, não deite também abaixo a sua vida. Em todas essas coisas eles gastam a menor energia possível, de modo a poderem imergir, com todas as forças reunidas e, por assim dizer, com um grande fôlego, no elemento do conhecimento. Podem, assim, ter esperança de mergulhar profundamente e também de, talvez, verem bem até ao fundo.
De um dado acontecimento, um tal espírito pegará de bom grado só numa ponta: ele não gosta das coisas em toda a sua amplitude e superabundância das suas pregas, pois não se quer emaranhar nelas. Também ele conhece os dias de semana da falta de liberdade, da dependência, da servidão. Mas, de tempos a tempos, tem de lhe aparecer um domingo de liberdade, senão ele não suportará a vida. É provável que mesmo o seu amor pelos seres humanos seja cauteloso e com pouco fôlego, pois ele só quer meter-se no mundo das invejas e da cegueira na medida em que isso seja necessário à finalidade do conhecimento. Tem de confiar em que o gênio da justiça dirá alguma coisa em favor do seu discípulo e protegido, se vozes acusadoras lhe vierem a chamar pobre de amor. Há na sua maneira de viver e de pensar um heroísmo refinado, que desdenha oferecer-se à grande veneração das massas, como o faz o seu irmão mais grosseiro, e que costuma andar pelo mundo e sair do mundo em silêncio. Sejam quais forem os labirintos que ele percorra, sejam quais forem os rochedos, por entre os quais a sua corrente tenha, de vez em quando, aberto passagem penosamente... assim que chega à luz, segue o seu curso, límpido, leve e quase sem ruído, e deixa brincar os raios do Sol até ao fundo do seu leito.

Friedrich Nietzsche, in 'Humano, Demasiado Humano'

segunda-feira, dezembro 05, 2011



Eu tenho mania de ser livre, sigo sempre esse meu coração maluco, sempre acabo fazendo o que acho correto, o que sinto, e o que sinto as vezes complica minha vida, que eu demorei para colocar em ordem, e nem gosto de tudo tão certinho, mas preciso...
É como um quebra-cabeças de mil peças que você demora um tempão para montar, de repente alguém esbarra na mesa e pronto...tem que começar a metade, um pedacinho ou tudo de novo...
Fiquei lá te admirando, ouvindo suas piadas infantis, sua voz rouca, seu olhar disfarçado, sua risada pretensiosa lendo meus bilhetes, meus pensamentos bobos, eu queria entrar na sua brincadeira, fazer parte do seu show, te mostrar que naquele momento podíamos ser iguais e que eu poderia roubar seus pensamentos, porque sei que gosta do melhor, que gosta do belo, do diferente, que odeia que te ofusquem, mas adora tudo que brilha...eu só precisava confirmar, porque conheço os meus, esses espíritos livres que andam por aí, desmontando o quebra-cabeças dos outros...puro atrevimento!
Meu bem, seu arrepio não me é estranho, você só me deixou entrar porque eu sei abrir as suas portas, sei entrar pelas frestas, sei controlar a gula, dar uma mordida só, eu pulo do muro mais alto, mas aprendi a cair...como um gato, que rouba sorrateiramente seu sustento e foge pela escuridão...
No passado eu teria medo, agora, tenho juízo...não ultrapasso meu limite, vou te encher de elogios, vou te tratar muito bem, tão bem que você vai pedir sempre um pouco mais, sempre mais um pedaço, sempre mais um trago, sempre mais um gole...
Não tenha medo jamais, a distância não significa perda, não seja egoísta em querer sempre todos ao seu lado, eles criam asas, voam para longe, como um dia eu também vou voar, agradeça...não deixe sua oportunidade passar por apego às coisas velhas, antigas, o conforto nem sempre significa felicidade, mostre o seu lado mais escondido, não dói tanto assim...