Cérebro com o cão!
Desejos, suores e salivas...Fluídos alvoroçados de ardor de nossos corpos quando eles se encontrarem.
No meu pensamento eu já pequei. A minha alma está cheia de desejos e lembranças já consumadas, já reais, de tudo o que não aconteceu (e talvez nunca aconteça). Os pactos foram violados e as roupas foram arrancadas de seu corpo e jogadas pelo chão, enroscando-se nos meus caninos. Eu vi seu corpo contorcendo-se, suas unhas cravadas no lençol, sentindo calafrios, quando foi castigada com carícias infernais da minha língua profana.
E na presença de nossos corpos nus enroscados, eu revelei meus gênios ocultos. Aqueles que ficam camuflados, escondidos por trás dos meus óculos e da minha forma casual de me vestir. Um ser escondido dentro do pacato cidadão...O com o meu corpo trêmulo e sedento, louco de prazer orquestrei seu corpo para satisfazer-nos com coisas que eu nem sei expressar em sã consciência. Intenso, real e imoral.
E como os corpos já saciados, já maculados, já explorados, só nos sobraram às bocas entreabertas que denunciaram com um sorriso discreto de que foi muito bom, que queremos mais...
Malditos sejam meus pensamentos cruéis...Pensamento que tem gosto, sons, cheiros e que roubam meus sentidos com grande freqüência e facilidade nessas tardes de inverno em São Paulo.
Meu cérebro atormentado não quer aquietar-se...Ele quer fabricar cenas, palavras, gemidos guturais. Nas madrugadas, nos meus sonhos.
