É bom saber que tenho essa casa, é meio que meu refúgio, as vezes não quero ser entendida, muito menos ouvir opiniões, aí eu venho aqui ser ouvinte de mim mesma, das minhas histórias, gosto do silêncio, preciso dele...
Eu chego, tomo um longo banho, me enfio num roupão fofinho, como se fosse um abraço meu em mim, tenho me perdoado, mostrado meus defeitos sem medo, hoje sei que eles fazem parte mas jamais serão minha imagem,não tinha idéia do quanto sentia falta do meu carinho, do quanto precisava de mim.
Ainda estou procurando o meio termo, pque conheço uma personalidade selvagem, sensual, despudorada, sempre querendo o novo, experimentar coisas, pessoas, comidas, lugares, sempre intensa, explorando até o fundo, tão fundo que se não se controlar pode ficar por lá mesmo, agarrada aos vícios, atormentada pelos demônios dos excessos, sem forças para escalar as paredes do abismo...por outro lado existe alguém serena, que se contenta com a companhia dos seus livros, seus filmes, seus pensamentos, alguém que dorme tranquila numa nuvem branca, que gosta do Sol e tem vontade de ter uma horta, que deseja morar na praia e fugir do barulho...existem duas,uma alimenta a outra, procuram viver em paz, mas tem gostos completamente diferentes...noite e dia, vermelho e azul, verão e outono, meninas e meninos, álcool e saladinhas, sexo e amor...existe uma disputa, o equílibrio virá no dia em que pararem de lutar, nessa história eu sou a expectadora, a juíza, estamos em fase de conciliação.
Mamãe perguntou onde estava a menina que vivia entre frases e versos com seu caderno no colo...procurei e a encontrei no mesmo lugar.
