
Você pode me usar.
Não tenho contra-indicação
E nem efeito colateral.
Não tenho os pés no chão
E sou pra lá de visceral em
Meus delírios e desejos.
Meus beijos germinam em
Qualquer furacão e quando sonho,
Sempre me embriago com os meus mitos,
Sou o meu próprio infinito.
Você pode me usar.
Mas me use com cuidado, com
Paixão num ritual perfeito de
Entrega e emoção.
Experimente meus olhos com
Delicadeza.
Não se perca nos meus
Abismos.
Posso te levar para o mais
Profundo de mim, posso te mostrar
Encantos ignorados, posso te beber
Numa pétala de jasmim, posso tudo
E nada.Sou uma mistura de precipício
Com madrugada.
Você pode me usar.
Meu ritmo e doce e preguiçoso, é sacana
E extravagante, é perto mesmo distante.
Falo a língua das flores, minha voz
É pouca para tudo que há dentro
De meu coração, para o tempo
Que carrego e que solidifica o ar.
Sim, você pode me usar.
Te dou permissão para me sentir
Em tuas mãos, para me enlouquecer,
Para me encher de dúvida e de prazer,
Para acender o meu coração.
Você pode me usar.
Você pode exercer os teus poderes
E me desvendar, você pode fazer
O que quiser de mim.
Não vou dizer
Não ou sim.
Não vou fazer nada.
Meu destino dobra os fios da eternidade
Quando estou diante de ti e a manhã é
Quase saudade.
Quase saudade.
Você pode me usar.
Você pode cozinhar o meu coração.
Mas se tempo sobrar, experimente
Me olhar a alma ou talvez voar junto
Comigo, beijar meu umbigo, ser meu amigo
Ou talvez ser todo o meu esplendor.
Você pode me usar.
Se você puder, tente me amar.
Tente ver a mulher e a menina,
O poema e a poesia, a palavra
Em alegria, as minhas asas e
Os meus devaneios, as minhas
Tatuagens e os meus seios.
Você pode me usar.
Mas seja lento e sedutor
E atravesse poeticamente comigo
As pétalas de uma flor sem olhar
Para trás, sem entender ou dizer
Jamais.
Você pode me usar.
Já fechei os olhos, já abri
As mãos, já arquitetei
A fantasia.
Venha sem rédeas, freios
Ou esporas e esqueça a hora
De ir embora.
Você pode me usar
Assim que você aprender
A me Amar.
